A educação parental é uma prática que tem como objetivo instruir e melhorar o relacionamento de mães e pais com seus filhos. Os responsáveis aprendem com esse tipo de formação estabelecer relações acolhedoras e saudáveis com seus filhos, além das melhores práticas para a educação dos pequenos. Além disso, a educação parental busca promover também o autoconhecimento, possibilitando que mães e pais criem vínculos positivos e uma comunicação aberta, capaz de dar suporte e estimular que a criança se desenvolva de forma saudável nas áreas cognitiva, física, social e emocional.

Na prática, as orientações que os responsáveis recebem é crucial para ajudá-los a compreender estas transformações tão constantes nos jovens. As competências e a compreensão adquiridas com a educação parental são importantes para evitar traumas futuros e relações conflituosas. A psicóloga e educadora parental Márcia Mattos explica que nem sempre mães e pais entendem o processo de amadurecimento dos jovens. “Ai você começa a conversar com pai, começa a conversar com mãe e aí você vê questões transgeracionais que às vezes vem de avó, vem de mãe.”, diz a especialista.

Ao aprenderem mais sobre como funciona o comportamento infantil, os responsáveis já sabem o que esperar de cada etapa e como podem estimular e dar suporte para a criança em cada momento, priorizando sempre o bem-estar.  Em muitos casos, a falta de conhecimento sobre a forma que a criança expressa seus sentimentos e vontades é interpretada de maneira errada, o que leva a muitos pais assumirem uma atitude autoritária.  Segundo a especialista, este tipo de resposta ao comportamento dos filhos também revela marcas geracionais que os pais carregam da criação que tiveram quando menores. “A gente enquanto pai, eu assim defendo muito a educação parental, a gente tem que ser modelo para os nossos filhos, você tem que ser modelo de tudo! De empatia, sabe? de sabedoria, de amor e de carinho. Como é que uma criança vai reproduzir isso em outro ambiente se ela não tem isso em casa?”, disse a psicóloga.

Neste processo de aprendizagem dos pais, um dos aspectos mais importantes é a compreensão da comunicação das crianças. Gi Bauxita especialista em psicologia positiva, PhD em Ciências, mãe e educadora parental, esclarece que o comportamento é a principal maneira que as crianças usam para se comunicar com os pais. “Então quando a gente olha a criança a gente precisa perceber que o comportamento dela é só a ponta de um iceberg o que tá por baixo é o que realmente nos interessa, que são as emoções são as aflições, as vezes são questões físicas. Então a criança nos comunica muito por meio do comportamento e quando a gente não enxerga isso a gente quer apenas encerrar o comportamento e não ver o que a criança está comunicando.”, afirma Bauxita.

A educação parental baseia-se no conceito de disciplina positiva, e por isso não se restringe apenas ao ambiente familiar. Os profissionais da área defendem que a presença da educação parental nas escolas pode ajudar professores e educadores a estabelecer uma boa comunicação com as crianças e adolescentes, o que resulta em um ambiente de trabalho e de aprendizagem mais saudável. O método da disciplina positiva defende que é possível estabelecer um equilíbrio entre a autoridade e a permissividade, valorizando sempre a empatia e a comunicação. “Então que a gente entenda que a comunicação precisa ser clara e em relação às emoções a gente precisa entender que a criança precisa de ajuda, ela não se regula emocionalmente sozinha.”, acrescenta a especialista em psicologia positiva.

A prática da educação parental ajuda na construção de ambientes mais saudáveis e seguros, o que impacta diretamente no comportamento social dessas crianças que tendem a tornar-se pessoas adultas mais empáticas, seguras e que têm mais facilidade de se comunicar.

Do Rio de Janeiro para a Rádio Uerj, Julia Camara.