Celebrando o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Uerj realizou um evento para debater a equidade étnico-racial e de gênero no ambiente universitário. A conferência contou com docentes da Uerj, ativistas das questões de raça e gênero, artistas, além da reitora Gulnar Azevedo e Silva, e autoridades femininas, como pró-reitoras e diretoras de departamentos da universidade.

Ao abrir o evento, Gulnar ressalta um de seus compromissos de mandato, a promoção de uma Uerj mais igualitária em questões raciais e de gênero. No discurso, ela também homenageia Nilcéa Freire, primeira mulher a ocupar o cargo de reitora, e exalta suas ações na busca pela inclusão social no meio universitário, por meio da criação e implantação das cotas.

“Ela foi corajosa nessa proposta de garantir que a Uerj permitisse que, pessoas que nunca antes pudessem chegar à universidade pudessem estar aqui com a gente estudando, se formando, indo para rua, indo para o trabalho, indo para a vida.”, ressaltou a reitora.

Com o auditório lotado, o debate foi conduzido por uma mesa composta de mulheres negras, que expressaram fortes posicionamentos sobre a relação da Uerj com suas lutas de igualdade de gênero e raça. Elas reforçaram a importância do espaço universitário como um lugar de identificação do indivíduo preto e periférico, especialmente mulheres pretas que precisam cada vez mais acessar estes espaços.

Uma das convidadas da mesa foi Lohany Monteiro, graduanda de geografia e membro do coletivo Mandume, que busca abraçar estudantes pretos no ambiente acadêmico. Ela relata que percebeu mudanças positivas desde o seu ingresso, embora considere que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que pessoas como ela possam de fato se sentir inseridas.

“Atualmente está melhorando, mas assim que entrei, eu me senti extremamente deslocada. Ainda me sinto um pouco, eu fico, ‘meu Deus, o que que eu estou fazendo aqui?’, mas aos poucos estou vendo pessoas como eu, mas não é uma coisa que é… ‘Ai, está tudo muito lindo, né?’ Ainda está meio tateado ao meu ver.”, pontua Lohany.

Dani Balbi, professora e primeira deputada estadual transexual da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, falou sobre sua trajetória e ressaltou sua luta pelos direitos das mulheres, dos negros e da comunidade LGBTQIA+. A deputada pontuou fortemente a constante luta das mulheres e dos negros ao longo da nossa história, e salientou que a democratização do espaço universitário não acaba nas políticas de assistência estudantil e de cotas, mas é com elas que se abre o caminho para a criação de um espaço mais igualitário.

‌“Eu entendo que assistência estudantil é muito mais daquilo que é muito importante, que são as bolsas, ou o restaurante universitário, é uma política de valorização da formação do jovem, principalmente o jovem pobre, preto, periférico, vulnerável, do jovem em estado, em processo de formação.”, reforça a deputada.

Na mediação do debate, Patrícia Santos, professora da Faculdade de Formação de Professores e coordenadora de estudos para a criação da Superintendência para a Equidade Étnico-racial e de Gênero da Uerj. Patrícia enfatiza a necessidade da criação da Superintendência, que é pensada em colaboração por quem já constrói o debate étnico racial e de gênero dentro da Uerj.

‌“Primeiro é muito importante reconhecer que a Uerj tem avanços em relação ao debate racial, sobretudo pensando na política afirmativa sobre o sistema de cotas, mas a gente ainda precisa avançar enquanto políticas afirmativas para outras categorias e necessariamente pensar um currículo que tenha relação com a temática étnico-racial e de gênero. Então, temos aí algumas ações necessárias para que a gente chegue na projeção de uma universidade antirracista, antisexista e antifomofóbica como desejamos, porque para pensar democracia a gente precisa pensar tudo isso.”

Segundo a coordenadora, há uma sensibilidade por parte da reitoria para que o debate seja feito e que os estudos para essa Superintendência gerem resultados ainda neste semestre.

Com colaboração de Lisandra Oliveira e Cristina Lameira, do Rio de Janeiro para a Rádio Uerj, Juliana Araujo.